Em 1989, a Assembléia das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional para a Redução dos Desastres Naturais. Essa data visa sensibilizar a sociedade e promover uma consciência global sobre a necessidade de prevenir os riscos de desastres naturais. De acordo com o Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED), o Brasil é um dos países mais atingidos por desastres hidrológicos, como inundações e enchentes.

Em função disso, iniciativas que trabalhem focadas nessa consciência global, são mais que necessárias. Uma dessas iniciativas é a startup Pluvi, incubada no Polo Tecnológico e Criativo da Universidade Federal de Pernambuco.

A Pluvi atua no desenvolvimento de projetos de captação, tratamento e distribuição de água. Eles são especialistas no uso desse recurso hídrico, como forma de aliviar os problemas ambientais dos grandes centros urbanos relativos à falta ou excesso de água.

Na entrevista concedida a SDW por e-mail, representantes da PLUVI, explicam um pouco sobre a história da startup, sobre sua missão de levar água de qualidade para todas as pessoas, utilizando inovações tecnológicas a favor da sustentabilidade, além da sua visão sobre a entre os desastres naturais e o semiárido brasileiro.

Confira a entrevista

SDW – O que pode ser feito para diminuir e prevenir os efeitos da relação dos desastres naturais e o semiárido brasileiro?

PLUVI – Primeiro é necessário tirar o tema Proteção Ambiental do papel e transformar em ações. Nossa legislação de proteção ao meio ambiente precisa ser colocada em prática, norteando ações de política pública sustentável, transformando o dia a dia das pessoas com a promoção da saúde e levando dignidade às comunidades mais vulneráveis. Água de qualidade e saneamento são serviços básicos que todos precisam ter acesso.

É urgente a necessidade de virada de chave, para que tenhamos uma sociedade consciente voltada para a proteção ambiental.

SDW – Como o trabalho realizado pela Pluvi consegue minimizar os efeitos de desastres naturais? 


PLUVI – Nós somos uma startup incubada no polo tecnológico da UFPE, especializada no uso da água de chuva para fins potáveis e não potáveis. Temos como missão levar água de qualidade para todas as pessoas, utilizando inovações tecnológicas a favor da sustentabilidade. Acreditamos que através de fontes alternativas de água, contribuímos para a proteção e universalização do acesso à água e para a redução das desigualdades, melhorando a qualidade de vida das pessoas

SDW – O cenário futuro prevê uma série de consequências desastrosas que atingem essa região. Como vocês entendem o papel da sociedade diante disso?

PLUVI – Até 2030 bilhões de pessoas podem estar sujeitas à falta de água no mundo, por isso tanto os gestores como a sociedade devem atuar ativamente na busca por um futuro melhor. A sociedade precisa exercer o papel de agente transformador do seu ambiente, pois sem o seu envolvimento não conseguimos atingir a sustentabilidade ambiental. 

Também é preciso cobrar os gestores, sobre a prioridade de incentivar pautas ambientais e investir em saneamento básico. Pois, é necessário entender que sem saneamento não há qualidade de vida. E para que haja o controle da poluição atmosférica, a eliminação do desmatamento e proteção dos recursos naturais, são precisas políticas de Estado, portanto prioritárias.

SDW – Os desastres naturais conseguem deixar regiões já fragilizadas pela falta de acesso a recursos básicos ainda mais sensíveis. Como o trabalho de vocês foca em uma dessas regiões, poderiam falar sobre como vocês visualizam o cuidado com a região em função disso?

PLUVI – Quando trata-se de regiões de morros, os desastres ambientais podem ser mitigados a partir do uso da água da chuva. Imagine cada casa armazenando a água da chuva, impedindo que essa atinja o solo e escoe o morro abaixo. 

Assim, o uso do recurso hídrico, pelas casas, contribui para redução do escoamento superficial e consequente infiltração da água no solo, mitigando em muito os deslizamentos de barreiras, alagamentos na planície e extravasamentos de córregos e canais. 

Também é importante ressaltar que o abastecimento de água nessas regiões é precário, e o uso da água de chuva de forma complementar ao abastecimento convencional, contribui para universalização do acesso a água de qualidade junto às comunidades mais vulneráveis.

SDW –  O acesso a recursos como água e saneamento pode ser considerado como uma ação de fortalecimento local?


PLUVI – A falta de serviços básicos como fornecimento de água e saneamento precariza o desenvolvimento humano. É inadmissível ainda existir mortalidade infantil fruto de doenças de veiculação hídrica, com a falta de saneamento relacionada a maioria das doenças tratadas pelo SUS.

Não seremos uma sociedade forte enquanto não resolvermos as questões relativas ao acesso à água e ao saneamento. 

Startup PLUVI

A população, principalmente as mais carentes, precisa ter dignidade para estudar e trabalhar. Enquanto o esgoto escoa na sarjeta, existem pessoas carregando água na cabeça e lixo nos canais, córregos e rios, não seremos uma sociedade desenvolvida. Quando atingirmos esse grau de maturidade, significa que todos os demais problemas ambientais estarão resolvidos. Visto que teremos uma sociedade verdadeiramente comprometida com a proteção ambiental. 

SDW – Como vocês acreditam que o trabalho da SDW e da Pluvi se relacionam?

PLUVI – Ambas estão preocupadas com as pessoas, com a proteção ambiental e com tecnologias voltadas ao acesso a água de qualidade. São agentes de transformação cultural incorporando o uso água da chuva no dia a dia, contribuindo fortemente para o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU.

PLUVI Considerações finais

Primeiramente agradecer a atenção e a oportunidade de conversarmos sobre um tema tão sensível e relevante. A proteção ambiental é uma preocupação global, é uma questão de sobrevivência.

Depois da revolução do setor energético com a popularização da energia eólica e solar, é chegada a vez da revolução do saneamento com a incorporação do uso da água da chuva para fins potáveis, seja em ambiente rural ou urbano.

O setor do saneamento deverá ser um dos setores mais importantes na recuperação do pós-pandemia. Com R$1,4 trilhões em impacto na economia nos próximos 12 anos, está a caminho da universalização dos serviços, visto que o País ainda amarga 34 milhões de pessoas sem água potável em suas torneiras.

Somente o pipeline de investimentos para o saneamento sob modelagem do BNDES (incluindo seis projetos de concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPPs)), totaliza R$16 bilhões em investimento.

Diante desse fértil ambiente que a PLUVI irá disponibilizar ao novo mercado do saneamento um produto inovador que contribuirá para universalização do acesso à água se apropriando da nova matriz hídrica, disponibilizada em 2017, quando a água da chuva foi reconhecida enquanto recurso hídrico através da Lei das Águas.

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