Confira nesta entrevista uma abordagem ao tema: Parcerias como uma crescente do impacto social: como diferentes entidades podem agir para o alcance de um propósito comum?

Comemorado dia 05 de dezembro, o Dia Internacional do voluntariado é um data instituída pela ONU e tem como propósito promover ações de solidariedade em todas as esferas da sociedade.

O voluntário é aquele que dedica seu tempo a promover o bem-estar do próximo sem receber remuneração alguma. 

No que diz respeito a promover ações solidárias, existem empresas específicas que atuam nesse cenário.

Uma delas é a purple.credit, uma iniciativa de crédito de impacto social, onde cada hora doada por agentes de transformar é convertida em um crédito de impacto social. 

A seguir, em entrevista concedida à SDW por e-mail, Samantha Jones, Diretora Executiva, purpose+people, falou um pouco sobre a empresa e sua atuação.

Ela trabalha desde 2016 no V2V, onde há mais de 2 anos atua como Diretora de Inovação liderando as equipes de comercial, consultoria e marketing. 

Com extensa experiência em novos projetos nos mercados de impacto social, comunicação, tecnologia e e-commerce, assumiu a liderança do purple.credits, primeiro crédito de impacto social do mundo.

Confira a entrevista

SDW – Há muito envolvimento do setor de voluntariado com a promoção de água e saneamento?

Samantha Jones – No voluntariado corporativo por conta das empresas em sua maioria estarem em grandes centros econômicos ou capitais. As principais causas de impacto social estão nos setores de educação, meio ambiente, saúde e qualidade de vida. Seguidos por causas relacionadas ao esporte e lazer, diversidade, empreendedorismo, cultura e causa animal.

Este segundo grupo varia mais a ordem de importância segundo a cultura e pilares do negócio da empresa, mercado em que atuam e os consumidores.

Apesar disso,  em empresas mais maduras, que privilegiam a execução de ações estruturantes, é muito comum que ações voltadas para melhoria da infraestrutura de instituições e comunidades parceiras seja uma modalidade recorrente. 

No entanto, como a maioria atua em seu entorno e nos grandes centros urbanos e/ou econômicos, o perfil destas ações está mais relacionado às reformas e menos ao saneamento e acesso à água. 

Somando-se a este cenário ainda tem três fatores que desafiam a execução de ações para a promoção de água e saneamento: a necessidade de mão de obra especializada e um investimento mais alto para execução; o risco de acidentes com os voluntários e/ou beneficiados que participem da ação.

E por último, o desafio vivido nestes últimos dois anos, onde tivemos um aumento nas atividades de arrecadações, fomentando um caráter mais assistencialista na atuação destes grupos. Muito por uma necessidade premente das comunidades carentes em decorrência desemprego e isolamento gerados pela pandemia.

Porém, estamos muito confiantes que outros dois fatores possam potencializar o crescimento das ações de promoção de água e saneamento: o fato de que trabalhos de instituições sérias como a Habitat Brasil, Teto, Litros de Luz e a própria SDW continuamente vêm ganhando espaço, tanto como opção de modalidade de voluntariado corporativo, quanto como vêm crescendo no formato de voluntariado turístico ou vivência social real da adversidade.

Além disso, existe o fato de que em 2023, estamos há apenas 7 anos do prazo final para cumprimento das metas dos ODS’s (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

Tendo em vista que em nosso país ainda contamos com realidades chocantes. A exemplo da região norte do Brasil que abriga 73% de toda a reserva de água doce do país (o Alter do Chão ou Sistema Aquífero Grande Amazônia). E menos de 60% da população desta mesma área têm acesso à rede de abastecimento de água.

Dos mais de 40% restantes, alguns têm poços, outros nem isso! Ou ainda no Nordeste, onde há a menor quantidade de recursos hídricos do Brasil em contraponto com uma alta densidade demográfica, o que dificulta bastante o abastecimento de água. Segundo a Eco Nordeste (2020), quase 30% dos nordestinos ainda carecem de água e 72%da população ainda não possui coleta de esgoto.

Então, resumindo minha resposta, há muito espaço para crescermos na atuação voluntária na frente de promoção da água e saneamento.

SDW – Quais causas você visualiza como destaques nesse setor?

Samantha Jones  – Com o advento do ESG, a sustentabilidade passou a ser vista de modo mais amplo, e como disse anteriormente, depois da causa Educação, campeã na escolha de pessoas e empresas que vê  o melhor meio para transformação longeva de cenários desafiadores; o meio ambiente ganhou muita visibilidade e surgiram muitas oportunidades para se atuar.

Outra causa que vem ganhando muito espaço é a da inclusão de minorias ou grupos marginalizados, sob a bandeira da diversidade. Porém, na lista dos ODS há muito a ser trabalhado em relação à infraestrutura. Pois precisa começar a ser incorporada de modo mais sistemático na pauta de quem tem este olhar para a sociedade e suas necessidades.

Não são excludentes e sim complementares, pois a Saúde passa por ter um ambiente com acesso à água e esgoto. Vimos o impacto das nossas deficiências no setor durante a pandemia de covid.

A educação passa pela necessidade ainda de acesso à luz/energia e à internet. A inclusão digital é outra bandeira crescente que também envolve ações de infraestrutura.

Então neste momento, destacaria como tendências ou principais frentes: educação, meio ambiente, infraestrutura (água, esgoto, luz, moradia e internet) e saúde. Em seguida, com estas frentes mais avançadas, arrisco dizer que teremos maturidade e um ambiente propício para incentivarmos iniciativas sociais que fomentem a economia circular.

Samantha Jones
SDW – Há espaço para todo mundo no voluntariado? 

Samantha Jones  – Nós da Purple acreditamos que o impacto social voluntário é o recurso natural renovável menos explorado da atualidade. Então sim! Causas do coração, do negócio, da minha região… as motivações para empresas e pessoas são múltiplas para se envolverem com atividades sociais nas mais distintas formas e setores.

Em nosso país, há uma multiplicidade de desafios sociais. Eles possibilitam um imenso e profícuo campo de oportunidades para pessoas e empresas interessadas em transformar cenários adversos em realidades positivas.

SDW – Empresas podem contribuir diretamente com o voluntariado? 


Samantha Jones – Sem dúvidas, empresas não só podem como devem contribuir no cenário social em que estão inseridas. A cidadania não é um privilégio das pessoas físicas.

Como parte do todo, empresas que retornam à sociedade não apenas cumprem seu papel social como aumentam sua chance de sucesso e longevidade ao garantir um ecossistema mais saudável e sustentável.

Samantha Jones

E agora com o ESG, ser socialmente atuante é um ativo maior, pois vivemos um momento de valorização por parte de  consumidores, colaboradores e sociedade em geral.

As empresas que realizam atividades sustentáveis, minimizando seus riscos, ambientais, sociais e de relações de governança, os investidores e órgãos  governamentais também a avaliam melhor.

SDW – Como você visualiza a relação entre empresas, voluntários e o saneamento rural? São fatores que dialogam entre si? 

Samantha Jones – Certamente!

  • subsidiar, via patrocínio direto ou leis de incentivo, atividades de uma instituição que já atue com saneamento rural potencializando o número de pessoas e regiões atendidas pela mesma;
  • enviar equipes de colaboradores voluntários para que não só transformem, mas que possam vivenciar a realidade como parte da solução;
  • apoiar com seus conhecimentos ou seus recursos humanos (coaching, consultorias curtas, mentorias etc) para que instituições e comunidades sejam mais eficientes e sustentáveis em sua operação de projetos no segmento;
  • ou ainda, comprando créditos de impacto social que recompensem pessoas e instituições que atuem nesta frente, permitindo que eles possam realizar mais projetos de sucesso como o da ação certificada, e reconhecendo a capacidade dos envolvidos (inclusive e principalmente as pessoas da comunidade que atuem no projeto, viabilizando que os mesmos possam ter uma renda extra, ou mesmo viverem da transformação social que geram).
Considerações finais 

Sou suspeita, pois, há quase sete anos vivencio e vejo o que é atuar profissionalmente no setor de transformação social. Mas afirmo com toda certeza e recomendo a qualquer pessoa, que encontre algum modo de fazer parte de um movimento social.

O clichê de “Quem mais recebeu fui eu”, dito por 99,9% dos voluntários é uma verdade absoluta, incontestável, e o melhor de tudo, uma experiência inigualável.

Eu sei e entendo que há momentos ou causas nas quais podemos nos dedicar mais. Seja presencialmente em uma instituição, construir uma cisterna, implementar um aqualuz, fazer uma horta comunitária ou mentorear presencialmente ou online um jovem de periferia.

Há outros momentos em que podemos apoiar uma ação de arrecadação com itens, doação financeira ou atuando como multiplicador da iniciativa nas redes sociais. Há outros momentos em que podemos recompensar pessoas que se dedicam a esta frente. Para que possam seguir transformando e construindo o país, o planeta que acreditamos poder existir.

O que é certo, é que como seres sociais que somos, como parte de algo maior, temos que atuar, de algum modo ou de todos estes. Sendo socialmente responsáveis exercitarmos plenamente nossa humanidade e teremos maior clareza e sentido de propósito.

É nisso que nós da Purple acreditamos, que, com você (e cada um do planeta Terra), faremos o #EquilibrioSocialPossivel.

Só venham!

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